A proposta desse blog é a de me auxiliar com as minhas próprias mudanças, afinal, também sou humana! Estou sujeita a erros, assim como você. E preciso rever meus atos e meus pensamentos constantemente para evitar cometer esses mesmos erros.
Gosto muito do primeiro texto de um livro chamado “Abrindo portas com amor”, de Ângela e J. Augusto Mendonça.
O título é: “Nossos relacionamentos”. Fala sobre como tendemos a tratar melhor pessoas desconhecidas do que aquelas que fazem parte da nossa história, principalmente nossos familiares – mãe, pai, irmãos, companheiro(a), até mesmo nossos animais de estimação. Sem dúvidas isso é um fato e, com certeza, se estende para os nossos melhores amigos.
A primeira tentativa para recomeçar é tratando da maneira certa aquelas pessoas que tanto nos amam, que tanto nos querem bem, que tanto nos querem ver crescer e nos tornar pessoas melhores.
Fica a dica de uma boa leitura... Espero que gostem.
Rachel Marinho
“Sobre o relacionamento entre pais e filhos, gostaria de relatar-lhes um fato que aconteceu comigo e que muito mudou a forma de me relacionar com meus filhos.
Quando minha filha tinha 11 anos de idade, ela combinou com a mãe que, após as aulas, levaria algumas colegas para nosso apartamento para comer pizzas que elas mesmas fariam.
Minha mulher concordou e combinou com a empregada que deixasse prontos os discos de massa pré-assados, a mussarela ralada, o presunto picado e o molho na geladeira. Também foram providenciados os refrigerantes, na época, garrafas de vidro de refrigerante família.
Como os irmãos voltariam da escola mais tarde, minha mulher e eu estaríamos trabalhando em nosso consultório de Psicologia, o apartamento ficaria à disposição dela e das colegas.
Por volta das 17h45, terminei meu trabalho na clínica. Minha mulher pediu-me que fosse para casa, que nada precisaria ser feito, mas que eu ficasse em casa à disposição de minha filha e de suas colegas. Logo que ela terminasse o trabalho, também iria. Naquela época, já estávamos acostumados a ficar até mais tarde no consultório, estudando, depois das consultas. Os filhos, quando retornavam da escola, sabiam se cuidar e, pelo telefone, fazíamos o controle de como as coisas andavam.
Naquela tarde fui mais cedo para casa. Quando cheguei, já encontrei as colegas de minha filhar assentadas à mesa, comendo e bebendo, rindo muito, alegres. Cumprimentei a todas e fiquei conhecendo as que não conhecia. O cheiro de pizza assando tomava conta de todo o apartamento. Uma delícia. Liguei a televisão e fiquei vendo o resto da novela, enquanto esperava os jornais da noite nos diversos canais de televisão. Fiquei distraído, alheio à farra das meninas.
De repente, um susto. Um grande estrondo na cozinha balançou todo o apartamento. Tremi, na sala de televisão, apreensivo com o grito de uma das colegas de minha filha. Aconteceu que, com a mão suja de gordura de pizza, ela foi pegar uma garrafa de refrigerante na geladeira. A garrafa escorregou e caiu no piso de granito. O grande barulho foi pela queda da garrafa e também pelo gás que se desprendeu do refrigerante. Espalharam-se cacos de vidro e refrigerante por toda a cozinha.
Quando cheguei lá, a jovem estava parada, muito assustada, e as outras assentadas à mesa, sem ação. Retirei a moça do lugar, com cuidado, para que não pisasse em cacos de vidro e coloquei outra garrafa de refrigerante na mesa para elas.
Comecei o trabalho de limpeza. Catei todos os cacos de vidro, embrulhei em jornal, para não machucar a mão do lixeiro. Puxei todo o refrigerante com o rodo. Depois joguei detergente e água no chão, fazendo a limpeza mais grossa, deixando, para o dia seguinte, a limpeza mais deixada por conta da empregada.
Depois disso, voltei para a sala de televisão e fiquei pensando. Pensei no fato e em como agiria se fosse a minha filha que tivesse quebrado a garrafa. Talvez ralhasse severamente com ela, chamando-a de descuidada. Talvez lhe mandasse limpar tudo. Talvez prometesse algum castigo, mesmo na frente das colegas. Talvez até agredisse fisicamente, mesmo na frente das colegas, para ela aprender a ter mais cuidado!!!
No entanto, como era uma estranha, eu agi daquela maneira. Limpei tudo, além de ter retirado a menina do ligar com muito carinho. Acho que disse a ela que não se preocupasse, que ficasse tranquila, que eu estava lá para cuidar dessas coisas.
Pensei mais: pensei em como maltratamos as pessoas que amamos e tratamos bem os estranhos. A menina era filha de não sei quem. Nunca a vira na minha vida! E minha filha era sangue do meu sangue, carregando consigo genes que eu transmitira, tinha ainda o meu sobrenome, que eu mesmo pusera. Eu a tratava com tanta grosseria e à sua colega, que eu nem conhecia, eu dava todo o meu carinho.
Foi então que eu comecei a prestar mais atenção a isso. E a partir daquele dia mesmo comecei a tratar com mais cuidado, com mais carinho e atenção meus filhos e minha mulher. Comecei a tratá-los como se fossem “os colegas”, e minha mulher como se fosse “a mulher de um amigo”, ou “a mulher do vizinho”.”
quinta-feira, 22 de abril de 2010
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Realmente fazemos isso.. mas penso que as vezes é uma reação da própria outra pessoa que já vem lhe tratando assim. Claro que não é uma justificativa.. mas ajuda a esse tipo de comportamento.
ResponderExcluirMudar isso... isso sim é tarefa difícil.. e muito.. mas pq não tentar???
Émuito bommmmm...
ResponderExcluirhm boiola rs
Oi boa noite,achei muito lindo esse blog então resolví seguí-lo parabéns,lindas mensagens Fatima Fernandes
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